Numa bela manhã de Verão, acordei e fui ver-me ao espelho, como era costume. Eis que reparo que tinha o cabelo loiro! Aproximei um pouco mais o rosto ao espelho e verifiquei que os meus olhos estavam verdes.
Não querendo acreditar no que estava a ver, passei a mão pelo rosto, apalpando-o suavemente.
– Mas... Eu conheço aquela cara!!! Não posso acreditar! É a Hannah Montana! O que está a fazer no meu espelho?! Espera, eu sou a Hannah Montana! Não, devo estar a sonhar. Vou mas é despachar-me para ir para a escola.
Abri o meu guarda-roupa e algo estranho aconteceu. A minha roupa tinha desaparecido e ao fundo havia uma porta que abri com curiosidade, de onde saíram imensos cabides giratórios repletos de roupas de uma verdadeira popstar.
De repente, a minha mãe começou a gritar:
– Despacha-te, pois já estás atrasada para ir para a escola e vais ter um teste a Língua Portuguesa!
Apressadamente, vesti umas calças e uma camisola, peguei na mochila e dei uma corrida até à paragem do autocarro, levando na mão um iogurte e um pacote de bolachas.
Após a minha chegada, as pessoas que se encontravam na paragem do autocarro começaram a olhar muito espantadas para mim e cochichavam umas para as outras. Parecia que algo de estranho se passava comigo.
Já estava farta de estar à espera e incomodada com aquela situação.
Finalmente chegou o autocarro, apinhado de gente, de crianças e adultos que se empurravam para ver quem conseguia um lugar sentado. Algo de estranho aconteceu com a minha chegada.
Fez-se um silêncio e as pessoas olhavam fixamente para mim, com um ar de espanto, levantando-se dos bancos para me darem o lugar. Eis então que, do fundo do autocarro, uma criança grita:
– É a Hannah Montana. É a Hannah Montana!!!
Começou a haver uma agitação entre as pessoas. O silêncio passou a um barulho ensurdecedor e só se ouvia:
– Olhe, a minha filha gosta muito de si. Dá-me um autógrafo?
– Dá-me um autógrafo, por favor! – pedia uma criança de joelhos.
Foi então que, ao ver tanta agitação, fugi do autocarro apressadamente.
– Sou apenas uma rapariga que quer ir para a escola. – disse eu, já farta daquele barulho, saindo a correr do autocarro desvairada de todo.
Passados alguns minutos, parei numas bombas da gasolina e lá encontrei um homem simpático que me ofereceu uma bebida e prontificou-se a dar-me boleia. Aceitei de imediato, mas essa bebida continha um soporífero.
Já dentro do carro senti a minha cabeça a andar a roda, acabando por adormecer.
Quando acordei estava num camarim, em Lisboa, no Rock in Rio, com imensas maquilhadoras e cabeleireiras à minha volta e milhares de crianças a gritar:
– Queremos a Hannah Montana! Queremos a Hannah Montana!!!
Muito atordoada, empurraram-me para cima do palco onde fiquei especada a olhar para aquela multidão de gente a gritar. Quando peguei no microfone para explicar que não era quem pensavam, as palavras que saíam da minha boca eram em inglês.
O meu coração começou a palpitar forte e as minhas pernas a tremer, mas senti-me confiante quando começou a música, cantando e dançando todo o concerto. Passado algum tempo, apareceu a verdadeira Hannah Montana a dizer que eu era uma impostora. A multidão começou a exaltar-se, gerando-se uma tremenda luta campal.
Dirigi-me a um segurança. Pedi-lhe ajuda para regressar a casa e ele emprestou-me o telemóvel para ligar à minha mãe. Quando ela atendeu, disse-lhe:
– Mãe, ajuda-me! Estou em Lisboa, no Rock in Rio. Vem buscar-me. Não sei como vim aqui parar!!!
Passadas umas horas, a minha mãe chegou de carro com um ar bastante furioso. Tentei explicar o sucedido, mas em vão. Ela não acreditou numa só palavra, dizendo:
– Não inventes. Tu não querias era ir para a escola fazer o teste de Língua Portuguesa. Vais ficar dois meses de castigo...
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